Estava há pouco conversando com uma amiga no MSN e, no meio de vários assuntos, esse diálogo ficou na minha cabeça:
AMIGA: Sua mãe tem alguma previsão de alta?
EU: O médico falou que talvez semana que vem, mas eu vivo um dia de cada vez, não crio expectativas.
AMIGA: Estou aprendendo a ser assim, ainda chego lá.
EU: Acho que isso é uma coisa que não se aprende, se faz à força.
Aí lembrei de uma frase de outra amiga no status do Orkut (ou será do MSN?):
PRESENTE QUE NÃO PASSA, FUTURO QUE NÃO CHEGA.
Que força estranha é essa que sempre teima em nos remeter a outro tempo que não o que estamos vivendo? Pode ser passado, pode ser futuro, mas nunca AGORA.
Por que tantas mensagens que recebemos em PPS, tantos livros de auto-ajuda, tantos comerciais de TV nos aconselham a viver o momento presente?
Fiquei pensando que se isso fosse tão bom não precisaria tanta gente nos lembrando que é o que temos que fazer. Seja sincero, quantas pessoas vc conhece que vivem assim, aproveitando e usufruindo o presente?
Será que a cada dia a vida fica pior? Será por isso que sentimos tanta falta do passado e ansiamos tanto pelo futuro?
Não pensem que sei a resposta, pois não sei. Só uma coisa é certa, essa é uma luta inglória em que já entramos perdedores. O Senhor do Tempo já nos condenou a viver um dia de cada vez e jamais voltar ao passado ou apressar o futuro. Quero crer que em algum tempo e algum espaço haja uma recompensa pra isso! Olha aí, já estou esperando pelo futuro de novo...
Carpe Diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento.Por isso aqui vou aproveitar o momento de inspiração e da falta dela também, para escrever tudo o que me der vontade. Tudo mesmo!
DOAR É UM ATO DE VIDA.
DOE SANGUE E MEDULA ÓSSEA.
Mostrando postagens com marcador divagações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador divagações. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 28 de junho de 2010
ONTEM, HOJE, AMANHÃ
poemas
divagações
http://www.moillusions.com/wp-content/uploads/3.bp.blogspot.com/_cxmptAPYR-s/RjPtAJDRWdI/AAAAAAAAAuE/Nrn5EfFVts0/s400/hall.jpg
segunda-feira, 14 de junho de 2010
OUTRO PLANETA
Hoje faz 2 meses que minha mãe está internada.
Durante esse tempo conheci muita gente, entre pacientes, familiares, acompanhantes, médicos, enfermeiras, etc.
Duas coisas me chamaram a atenção.
Uma delas, é a diversidade de emoções, sentimentos e comportamentos que vi nos familiares. Desde pessoas desesperadas até algumas totalmente indiferentes e até mesmo irritadas por estarem ali. Isso me fez pensar que as pessoas são como são, não mudam só pq atravessaram a porta de um hospital acompanhando algum familiar. E algumas saem de lá da mesma forma, vivenciam a dor, o sofrimento e, às vezes, até a morte e não aprendem nada com isso (em uma outra postagem vou contar como foi a transformação que ocorreu em mim com essa experiência). Simplesmente perdem o bonde que poderia levá-las a ser uma pessoa melhor.
Outra coisa marcante.
Nesses 2 meses, pouquíssimos dias deixei de ir ao hospital e várias vezes dormi lá. Semana passada, num dos dias em que dormi no hospital, desci para fumar por volta das 11 horas da noite (hábito ou vício que hei de abandonar) e, sentada no murinho, comecei a divagar. Me dei conta de que eu já conhecia a rotina de alguns moradores do bairro. A senhora de cabelo loiro "a la Xuxa", que passeava com seu cachorrinho de manhã, mas que nunca levava a sacolinha para recolher suas fezes. Dois senhores que corriam pelo bairro todo domingo de manhã. A babá que passeava no fim da tarde com o carrinho duplo dos gêmeos. As meninas que voltavam sempre juntas do Colégio Rio Branco. O casal que costumava jantar na padaria na frente do hospital (por sinal maravilhosa). A senhora que passava por ali com uma das pernas da calça arregaçada até o joelho, mostrando um machucado e dizia que tinha acabado de cair e precisava de dinheiro para o curativo. As duas moças que voltavam da academia e entravam na padaria, impecáveis, chapinha no cabelo e jóias e eu ficava lembrando do meu estado nas poucas vezes que me propus a fazer exercícios físicos. E, como esses, muitos outros.
Quando acabou meu cigarro, voltei à realidade e percebi que precisava subir. E foi assim que caiu a minha ficha de que o mundo não havia parado. Todos continuavam com suas rotinas, seus afazeres e seus hábitos. A vida só estancara para aqueles que estavam no hospital, pacientes e acompanhantes, como se vivêssemos em um outro planeta, o planeta Hospital.
poemas
divagações,
internação
http://www.moillusions.com/wp-content/uploads/3.bp.blogspot.com/_cxmptAPYR-s/RjPtAJDRWdI/AAAAAAAAAuE/Nrn5EfFVts0/s400/hall.jpg
Assinar:
Postagens (Atom)